Saturday, March 25, 2006

running on the spot

Penso no sistema como um programa instalado em nossa mente que é capaz de escolher nossos atos e assim dominar nossa vida. Alguns não se adaptam a ele, querem fazer mudanças. Outros nem sequer o recebem. Você não pode sair do sistema e ainda continuar no mundo civilizado, ele não lhe dá opções.
Seu poder é tão grande que, em questão de tempo, tudo o que é subversivo e o nega é absorvido por ele e usado para divulgá-lo ainda mais. Assim foi com a calça jeans, usada inicialmente por trabalhadores braçais pela sua praticidade de não sujar nem rasgar facilmente além de poder ser usada em todas as estações do ano. Hoje virou sonho de consumo na mão de grifes famosas que a vender por exorbitantes preços. Assim foi também para Che Guevara, que virou ícone pop estampado em milhares de camisetas. O pior? A maioria das pessoas que as usam nem sequer sabem quem ele foi ou o que fez.
Devemos seguir felizes nesta luta desigual contra não sei o quê?
"eu sou só um
mas não sou um deles"

Thursday, March 16, 2006

a tal da marilena


Só pra assustar a gente a primeira aula foi com a Marilena Chaui, mito, superstar...tudo
Na prática bem menos assustadora do que isso, o que assustou mesmo foi não ter entendido metade do que ela falou. Normal, ínicio, todos não entendem nada, nem ela entendeu muita coisa no seu primeiro ano de faculdade.

Pilha de xerox pra ler, Hume e Descartes. Exigem que a gente leia os textos no original (uma das bandeiras do curso de filo na usp) até hume tudo bem, agora tenho que correr pra fazer curso de francês.
Voltei pra Londrina hoje, depois de se acostumar com São Paulo, aqui vira quintal de casa (como disse o pereira), pequeno, pacato e aparentemente seguro.

Monday, March 06, 2006

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Queria ter assistido ao oscar ontem, mas não deu. Todo ano eu não podia ver até o final porque tinha aula cedo segunda. Neste ano que não preciso acordar tão cedo caí dura de sono na cama 11h da noite! Acordei e fiz almoço (sim! eu cozinhei o almoço sozinha) nunca pensei que polenta fosse tão ridiculamente fácil de ser feita, mas as horas refogando, descascando, cortando, me renderam certo estresse de ter que fazer muita coisa sem ninguém ajudando. Pensei nas pobres donas de casa que cozinham, lavam, passam, limpam, varrem... e ainda por cima não são reconhecidas.

pra variar não houve aula no primeiro dia.
No caminho pra usp, dentro do ônibus escutei umas meninas atrás de mim reclamando do tamanho das carteiras e falando coisas como:
pensei que eu fosse me livrar daquelas carteiras apertadas do cursinho, mas as daqui são menores.
e que então seus pais falaram: bem vinda à usp.

Imaginar que uma faculdade pública seria um mar de rosas só se seu curso fosse na FEA...

Uma delas inclusive era de Londrina e tinha estudado no universitário... não estou tão sozinha assim.

Já que não tinha nada pra fazer os veteranos se reuiniram com a gente e falaram sobre a executiva dos estudantes de filosofia. Cada um se apresentou, falou de onde vinha, bem estilo primeira aula da quinta série, é legal essa aproximação da sala impossível no terceiro colegial. Estão tentando no geral unir os alunos, e não fazê-los passivos às aulas e só reprodutores de conhecimento, mas sim produtores do conhecimento. Essa mudança de papel é boa mas assusta quem estava acostumado a só sentar, ouvir e ir embora (eu, no caso).

Andando pelo prédio encontro um poema da Sophia de Mello Breyner Andresen num quadro, de um movomento feminino do prédio. Fiquei feliz por encontrá-la por lá.
Filosofia e física são os cursos com mais desistência no primeiro ano

Depois de lá, como tinha tempo livre, fui ao cinema assistir a Capote. Já no ônibus tinha visto um menino lendo "A sangue frio", mas eu nem sequer sabia do que se tratava o livro. O filme é bom, mexeu comigo e a cena do enforcamento me lembrou dançando no escuro. Mas, claro que, dançando no escuro é bem mais emotivo nessa parte.

acho que esse texto ficou um pouco confuso, porque só fui jogando o que aconteceu hoje, sem uma linha.

pra terminar um poema da sophia que bate com cidade grande, apesar de eu simpatizar com o paraíso de concreto que é são paulo.

CIDADE

Cidade, rumor e vaivém sem paz das ruas,
Ó vida suja, hostil, inutilmente gasta,
Saber que existe o mar e as praias nuas,
Montanhas sem nome e planícies mais vastas
Que o mais vasto desejo,
E eu estou em ti fechada e apenas vejo
Os muros e as paredes, e não vejo
Nem o crescer do mar, nem o mudar das luas.
Saber que tomas em ti a minha vida
E que arrastas pela sombra das paredes
A minha alma que fora prometida
Às ondas brancas e às florestas verdes.

Sunday, March 05, 2006

to this day

É amanhã.
Tô com medo de não gostar do curso, de não conseguir ler os textos, de mandar tudo à merda.
Aqui na casa da vó as coisas não são familiares, digo, as coisas do quarto. Não me sinto à vontade pra ler nem consigo me concentrar por muito tempo num texto. Calma, calma, as aulas nem começaram e eu já debruçada em textos? Deveria preservar esses últimos momentos descompromissados não com descartes, mas sim com algo mais leve.
Mudando radicalmente de assunto,
minha tia tem gatas lésbicas! A puppy (vó do niki) finge que copula com a bi (nossa ex-gata). E a bi morde a 'perseguida' (nunca achei que fosse usar essa palavra....meu deus) da puppy. O que a falta de um macho não faz hein...
E gata no cio é um saco, ficam se esfregando por todo lado e gritam como se fossem morrer. Prefiro meu niki castrado.
*saudades do pe, da li, da fu e do niki*
será que encontrarei gente assim por aqui?
o legal de andar sozinha (depende do lugar, claro) é que a gente está mais propensa a falar com desconhecidos, seja no ônibus, na livraria.
Estava esperando na fila da livraria pra pagar e uma mulher um tanto sem noção falou assim e meio que puxou o livro da minha mão:
- deixa eu ver o que você está comprando.
era utopia do thomas more
- ah! esse eu já li (fazendo um olhar de intelectual) você está fazendo letras?
- não, filosofia.
- na usp?
- é.
- por quê? (puft!)
*eu muda*

não sei a resposta!
NÃO SEI

mas não se esquecer de que as perguntas são mais importantes do que as respostas. Se não fossem...